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MY DEAR LETICIA…YOU GREW UP IN TIJUCA, IN A FAMILY IN WHICH NO ONE WAS AN ARTIST. GROWING UP, WHAT WERE YOU DREAMING OF BECOMING ?

I guess I was dreaming about nature all the time. I was lucky that one side of my family owned a little farmhouse and on the other side a beach house; I spent all my holidays in those places. I wasn’t really dreaming of becoming anyone nor doing any specific job. I was more the kind of kid who wished he knew where this waterfall someone had told him about was, or who wanted to go to that other place because of the color of the ocean. I was really obsessed with nature. When I was about 13 years old I started studying theatre at my school and then I went to College and studied Portuguese literature because I love to write. Only it was very academic and way too square for me. You know, most parents would hate that their children became artists, but my mom was the one who enrolled me in this Art school called CAL (Casa das Artes de Laranjeiras). So I ended up going, met my best friend, became a woman and an artist there. This place changed me.

QUERIDA LETICIA…VOCÊ CRESCEU NA TIJUCA E NINGUÉM DA SUA FAMÍLIA ERA ARTISTA. O QUE SONHAVA SER QUANDO ERA ADOLESCENTE?

Acho que sonhava só com a natureza. Tive sorte porque um lado da minha família possuía uma casa no campo e o outro lado uma casa na praia; sempre passei as minhas férias em uma dessas duas casas. Na verdade, não sonhava em me tornar alguém ou trabalhar com alguma coisa específica. Era mais o tipo de criança que queria saber aonde ficava a cachoeira que alguém havia conhecido ou conhecer um lugar por conta da cor do oceano. Eu era realmente obcecada pela natureza. Aos 13 anos, comecei a estudar teatro na escola e depois entrei na faculdade aonde estudei Literatura Portuguesa porque amo escrever. Só que era tudo muito acadêmico e para lá de careta para mim. Sabe de uma coisa, a maioria dos pais detestaria que um filho seu virasse artista, mas foi justamente a minha mãe quem me matriculou na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL). Acabei frequentando o curso e lá conheci o meu melhor amigo, me tornei mulher e artista. A CAL me transformou.

HOW COME YOUR MOTHER SUGGESTED YOU CHANGED COURSES AND GO TO AN ART SCHOOL?

Because she remembered how happy I was when I was doing theatre at school; I was shining! And she also saw how depressed I was when I went to College. She didn’t want that for me. On my first day at CAL, the first class I attended was music. I arrived late and the teacher pointed at me and told me to sing. I felt so shy! I was standing in front of 40 people that I had never seen in my life, I was 19 years old and I felt awkward about myself and how I looked, but anyway I said to myself : “If I don’t sing now, there is absolutely no reason for me to be here”. So I pulled all the courage I had in me and started to sing some Janis Joplin song. I felt sexy suddenly. All my friends I still see nowadays tell me they will never forget that first day of school because I sang and now it is what I do for a living.

POR QUE A SUA MÃE ACHOU QUE VOCÊ DEVERIA ABANDONAR O CURSO DE LITERATURA PORTUGUESA E SE INSCREVER NA CAL?

Porque ela lembrava de como eu era feliz quando fazia aula de teatro na escola...eu ficava radiante com as aulas! E percebeu também como eu estava deprimida na faculdade. E ela não queria me ver daquele jeito. No primeiro dia de aula na CAL, a minha primeira aula foi de música. Cheguei atrasada e a professora apontou o dedo para mim e me mandou cantar. Fiquei tão sem graça! Lá estava eu, com 19 anos, diante de 40 pessoas que nunca havia visto na vida, me sentindo estranha tanto em relação a mim mesma como em relação à minha aparência, mas fui em frente e disse para mim mesma: se eu não começar a cantar agora, então não faz nenhum sentido estar aqui. Então juntei toda a minha coragem e comecei a cantar uma música da Janis Joplin. E de uma hora para outra me senti sexy. Todos os meus amigos da época com os quais ainda mantenho contato me dizem que nunca se esquecerão daquele primeiro dia de aula justamente por terem me ouvido cantar. E agora é cantando que ganho a vida.

WERE YOU ALREADY SINGING BEFORE THAT FIRST DAY OF SCHOOL?

I was but just for me. But since I am a kid, music is my thing. My mother put me to piano classes but it was too classic for me. I would have loved to have guitar lessons instead. I have this old memory, probably my oldest one: I was 6 years old and had just finished reading a Hans Christian Andersen tale. It moved me so much that I closed the book and put it on my chest and started composing a song with lyrics to continue the story. I still remember the song! I compose songs from things that are happening to me. I only started dreaming of becoming an artist when I was 19 and started doing this theatre course at University. And it’s not like I told myself I was particularly good at it, I think any artist will always second-guess himself about his art but I realized that everything I did, like writing a song with my guitar or performing, would call people’s attention. I started thinking that maybe this was something I wanted to pursue for the rest of my life.

VOCÊ JÁ TINHA CANTADO ANTES DESSA PRIMEIRA VEZ NA CAL?

Sim, mas cantava para mim mesma. Desde criança, o meu lance sempre foi a música. Minha mãe me colocou na aula de piano, mas as músicas eram muito clássicas para mim. Teria adorado ter tido aulas de violão ao invés de piano. Uma das minhas memórias mais antigas é a seguinte: eu estava com seis anos e tinha acabado de ler um conto do Hans Christian Andersen que me havia me tocado tão profundamente que apertei o livro contra o peito e comecei a compor uma música e a letra para a continuação da estória. Ainda me lembro dessa música! Componho a partir das coisas que estão acontecendo comigo. Foi somente aos 19, quando comecei o curso de teatro na faculdade, que comecei a sonhar em me tornar uma artista. E não foi porque eu acreditava que eu tinha um enorme talento, mesmo porque qualquer artista sempre se questiona em relação à qualidade do seu trabalho. Mas porque me dei conta de que tudo o que fazia, desde escrever a letra de uma música no meu violão até me apresentar publicamente, chamava a atenção das pessoas. Comecei a pensar que talvez isso fosse algo que quisesse fazer para o resto da vida.

WE SHALL THANK YOUR MOTHER TO HAVE ENROLLED YOU IN THAT SCHOOL, IF NOT WE MAYBE NEVER WOULD HAVE HAD THE CHANCE TO KNOW LETRUX!

Haha maybe later… You know I am a Capricorn and Capricorns are slow to make changes. My mother is a Pisces, she’s very sensitive. So when she realized I was not happy following a more academic formation, she did something about it! But you know, I loved studying literature. I write and in my heart I am still a writer. My process to compose a song always starts with the lyrics, and only after do I think about the music.

ENTÃO TEMOS QUE AGRADECER À SUA MÃE POR TER TE INCRITO NA CAL, CASO CONTRÁRIO TALVEZ NUNCA TERÍAMOS TIDO A OPORTUNIDADE DE CONHECERMOS A LETRUX!

(Risos) talvez mais tarde...sou capricorniana e, como tal, comigo as mudanças não ocorrem de uma hora para outra, preciso de tempo. Já a minha mãe é pisciana e muito sensível. Então, quando percebeu que eu não estava feliz seguindo a carreira acadêmica, ela assumiu as rédeas! Mas quer saber...eu amava estudar literatura. Eu escrevo e, no fundo do coração, ainda sou uma escritora. Quando componho uma música, sempre começo com a letra e só depois começo a pensar na música.

WHEN DID YOU DECIDE IT WAS TIME TO PURSUE MUSIC AS A CAREER AND WHAT INSPIRED YOU TO DO IT?

I had a first band which was basically just one girl (laughs). If I listen to it now I feel very embarrassed but at the same time it is filled with sweetness and a pure heart. It was genuine. At 25 years-old, I met Lucas (editor’s note : Lucas Vasconcellos) who is my ex-partner and was already a great musician back then. We were composing together and eventually started Letuce, my ex band. Lucas always searched for excellency in music, whereas I was always a little bit clumsy, you know? I played a little bit the guitar, I sang a little bit but always felt a bit lost too, when he was so focused all the time. But together with him, I felt I could do it in a more professional way and we could maybe even earn some money with it. When he arrived in my life I realized this was serious. I had to meet a great musician to tell me I had talent. Like if I was waiting for his approval. This actually sounds kind of sexist ! (Laughs).

QUANDO FOI QUE VOCÊ PERCEBEU QUE HAVIA CHEGADO A HORA DE SEGUIR A CARREIRA DA MÚSICA E O QUE FOI QUE TE INSPIROU?

Eu tinha uma banda composta, basicamente, por uma moça (risos). Hoje, quando escuto as músicas daquela época, sinto uma certa vergonha, mas, ao mesmo tempo, acho muito doce e puro coração. Era autêntico. Aos 25, conheci o Lucas (nota do editor: Lucas Vasconcellos), que foi meu companheiro e já era, na época, um excelente músico. Estávamos compondo juntos e decidimos formar a minha ex- banda, a Letuce. O Lucas sempre quis fazer uma música com alto nível de excelência, enquanto que eu era meio desajeitada, sabe? Tocava um pouco de violão, cantava um pouco, mas também me sentia um pouco perdida já que ele estava sempre hiper-concentrado no trabalho. Mas sentia que, com ele, eu poderia me tornar uma profissional e até mesmo ganhar dinheiro. Quando ele entrou na minha vida, percebi que a coisa era para valer. Tive que esperar para conhecer um grande músico que me disse que eu tinha talento, como se precisasse da aprovação dele. Pensando bem, tudo isso soa muito sexista! (risos).

DO YOU THINK IT COULD HAVE BEEN DIFFERENT HAD YOU MET A GIRL INSTEAD?

Not at all. Let me rephrase it then: I was just waiting for the approval of a professional musician (laughs).

VOCÊ ACHA QUE TERIA SIDO DIFERENTE CASO TIVESSE ENCONTRADO UMA OUTRA MOÇA AO INVÉS DO LUCAS?

Nem um pouco. Deixa eu me expressar melhor: estava esperando a aprovação de um profissional da área da música (risos).

WHAT WAS THE FIRST PAID GIG YOU DID?

I think I was 26, Lucas and I were playing together already, and I remember we did a concert at a movie theatre for the launch party of a movie in which my cousin, who is the amazing actress Karina Teles, was starring. I remember the feeling of happiness after the show. You know, the joy of not paying something out of your own purse? Well I was very happy to being treated to Japanese food with the money we earned from the gig that night!

QUAL FOI O PRIMEIRO SHOW QUE FEZ E RECEBEU PELO SEU TRABALHO?

Acho que foi aos 26 anos. O Lucas e eu já estávamos tocando juntos e lembro que nos apresentamos em um cinema durante a festa de lançamento de um filme estrelado pela minha prima, a fantástica atriz Karina Teles. Lembro de como se senti feliz depois do show. Sabe aquela sensação de alegria por não estar tendo que pagar do próprio bolso? Bem, naquela noite, fiquei muito feliz de poder pagar um jantar num restaurante japonês com o dinheiro que havia recebido como pagamento pelo show!

WHAT KIND OF STORIES DO YOU WANT TO TELL THROUGH YOUR ART, ESPECIALLY SINCE YOU CHOSE TO PERFORM AS A SOLO ARTIST?

I am an observer. An observer of life, of things that people don’t pay attention to. You know when people watch a movie and cannot take their eyes off of the beautiful actress, I only look at the specific scar she has on her wrist. I just travel in my head and start thinking that she must have had an accident when she was a kid… I can go very far! It is the same thing when I start writing lyrics for a song: I try to imagine a woman, sometimes it is me, sometimes it is a friend of mine, sometimes it is my grand-mother, and I try to imagine how it is to live in those skins, how can you find love as a rescue when you have to face other problems, or when your country is going down like now in Brazil. This album talks about these things. It is very tragic but also very funny, because we are in a moment like this. Sometimes I want to laugh like a crazy person and sometimes I want to cry like also a crazy person. I think my whole generation is a bit like that. No one is really balanced, no one really feels safe in our country. Look at Carnival for example, people get so crazy for carnival because they want to feel something. That is why it is so radical: seven days of lust and drugs and drinking and sex. And then when Carnival ends we sometimes have to go back to a job that we hate, only to pay bills, and where we don’t feel satisfied as human beings. I tell these stories with these details that happened to me but I know everyone can relate to them.

QUAIS ESTÓRIAS VOCÊ GOSTARIA DE CONTAR ATRAVÉS DA TUA ARTE, ESPECIALMENTE A PARTIR DO MOMENTO EM QUE DECIDIU PARTIR PARA UMA CARREIRA SOLO?

Sou uma observadora. Observo a vida e as coisas nas quais as pessoas não prestam atenção. Sabe quando as pessoas estão assistindo um filme e não conseguem desgrudar os olhos do rosto de uma atriz bonita? Pois é, eu fico olhando para a cicatriz que ela tem no pulso. Começo a viajar e pensar que ela deve ter sofrido um acidente quando era criança…e olha que vou longe nessa minha viagem! É a mesma coisa quando começo a escrever a letra de uma música: tento imaginar uma mulher, às vezes eu mesma, outras vezes uma amiga minha ou minha avó e tento imaginar como é viver na pele delas, como encontrar o amor como forma de resgate diante de tantos outros problemas ou, ainda, quando o seu país está indo ladeira abaixo como é o caso do Brasil. Esse álbum fala dessas coisas. É muito trágico, mas é também muito engraçado porque é justamente o que estamos vivendo atualmente. Às vezes tenho vontade de gargalhar loucamente e outras tenho vontade de chorar loucamente. Acho que a minha geração inteira é meio assim. Ninguém é totalmente equilibrado, ninguém se sente seguro em seu próprio país. Pense no Carnaval, por exemplo: as pessoas são loucas pelo Carnaval porque querem sentir alguma coisa e é por isso que essa festa se tornou tão radical: sete dias de luxúria, drogas, álcool e sexo. Aí acaba o Carnaval e temos que voltar para um trabalho que odiamos e que não nos satisfaz como seres humanos só para podermos pagar as contas. Conto essas estórias detalhadamente porque aconteceram comigo, mas sei que todos conseguem se enxergar nessa situação.

TELL ME ABOUT YOUR PASSION FOR ASTROLOGY. IS IT SOMETHING THAT HELPS YOU UNDERSTAND WHAT YOU FEEL INSIDE?

When I was a child, my mom gave me a book about the moon and it clicked: suddenly this world opened to me and never closed! It just makes sense to me, and I am not against science at all; I love science. I love to watch documentaries about science. People think that someone who loves science is against astrology; I love both and I think both of them in the past worked very well together. I mean, we have electric light since 150 years maybe? Before that, you would walk and guide yourself through the stars and it was beautiful. People started to realize some “coincidences” like tides when the moon was fuller. You cannot deny the power of the moon on the ocean. And when you know that our body is filled with water, it really makes you think.

CONTE-ME SOBRE A TUA PAIXÃO PELA ASTROLOGIA. É ALGO QUE TE AJUDA A ENTENDER O QUE ESTÁ SENTINDO POR DENTRO?

Quando eu era criança, minha mãe me deu um livro sobre a lua e aí uma luzinha se acendeu dentro de mim. De uma hora para outra, esse mundo se abriu para mim e nunca mais se fechou! Faz muito sentido para mim e isso não quer dizer de forma alguma que sou contra a ciência. Amo a ciência. Amo assistir à documentários científicos. As pessoas acreditam que quem ama ciência precisa ser contra a astrologia. Amo as duas e acredito que, no passado, ambas funcionavam muito bem juntas. Basta pensar que a luz elétrica, que só foi inventada há, talvez, 150 anos. Antes dela, você se orientava no espaço através das estrelas e isso é lindo. As pessoas começaram a se dar conta de algumas “coincidências” tais como a presença das marés em noites em que a lua estava mais cheia. Você não pode negar o poder que a lua tem sobre os oceanos. E quando percebe que o teu corpo é composto basicamente de água, é preciso parar e pensar.

THEY SAY CAPRICORN DON’T GET SAD, THEY GET DEPRESSED. WHAT DO YOU THINK BOUT THAT?

I remember being a child and reading about my sign and not identify with it… But today, I’m so Capricorn! (Laughs). I was a very happy child, always laughing and being crazy whereas Capricorns were supposed to be so serious… I guess this happens when you read poor astrology. If you read serious literature about astrology, you see that Jim Carrey is a Capricorn and he is very funny. You know all the earth signs Taurus, Capricorn and Virgo are very strong. And when they’re sad they can really change. You know, when people are sad they tend to drink and starve themselves. I do the opposite. When I am sad, I cry first but then I cook myself an egg and I drink an orange juice. I feed myself with the things that I know will help me get better.

DIZEM QUE OS CAPRICORNIANOS NÃO FICAM TRISTES, JÁ VÃO LOGO FICANDO DEPRIMIDOS. O QUE VOCÊ ACHA DISSO?

Lembro que, quando era criança, sempre que lia algo sobre o meu signo, não conseguia me identificar com aquilo que estava lendo…mas, hoje em dia, sou tãããooo capricorniana! (risos). Sempre fui uma criança feliz, ria o tempo todo, me comportava como uma louca enquanto esperavam de mim que, como toda boa capricorniana, eu fosse toda séria … acho que é isso que acontece quando você lê livros de astrologia ruins. Se você ler livros sérios sobre astrologia, descobrirá que o Jim Carrey, mesmo sendo capricorniano, é superengraçado. Todos os signos de terra (touro, capricórnio e virgem) são muito fortes e quando se sentem tristes, eles mudam mesmo. Sabe aquelas pessoas que quando estão tristes costumam beber ou passar fome? Bem, eu faço o oposto: quando estou triste, primeiro eu choro e depois vou para a cozinha preparar um ovo e tomar um suco de laranja. Me alimento daquilo que sei que me ajudará a me sentir melhor.

YOU SAID THAT THIS RECORD IS YOU AS A WOMAN; YOU EXPLORE OPENLY FEMALE SEXUALITY, YOU SPEAK YOUR MIND, YOU ARE A PROUD FEMINIST. DO YOU THINK YOU CAN OPENLY CELEBRATE YOUR INDIVIDUALITY HERE ?

I have been in the music industry for fifteen years. I grew my public through these years and I feel safe to say what I say because I know I have an audience of people who praise me and are curious about what I am going to say. I think it is also a very good time for women now, especially female singers. But I was exactly the same when I was five years old; I just grew hair and traumas (laughs). I deal with work today just the way I dealt with my toys back then. Of course I changed regarding how I feel when putting my sexuality out on stage. I always wanted people to think of me as an intelligent woman. I understand now that it is okay to dress in a swimsuit on stage and still be considered smart. I feel people used to judge a lot by the figure, it seems to have evolved. I love Peaches for example and always thought she was amazing.

VOCÊ DISSE QUE ESSE ÁLBUM É SOBRE VOCÊ COMO MULHER; AO FALAR ABERTAMENTE SOBRE A SEXUALIDADE FEMININA, VOCÊ DIZ O QUE PENSA, TEM HONRA DE SER FEMINISTA. VOCÊ ACHA QUE PODE CELEBRAR ABERTAMENTE A SUA INDIVIDUALIDADE AQUI?

Estou no ramo da música há 15 anos e ao longo deles o meu público cresceu e me sinto segura para dizer o que digo porque sei que o meu público é formado por pessoas que me admiram e têm curiosidade de saber o que tenho a dizer. Penso também que estamos vivendo um momento muito bom para as mulheres, especialmente para as cantoras. Por outro lado, sou igualzinha ao que era quando tinha cinco anos de idade. O que cresceu foi o cabelo e o número de traumas (risos). Lido com o meu trabalho da mesma forma com a qual lidava com os meus brinquedos. É claro que mudei em relação ao que sinto quando exponho a minha sexualidade no palco. Sempre quis que as pessoas me enxergassem como uma mulher inteligente. Hoje em dia entendo que não tem problema: você pode subir no palco de biquíni e as pessoas te acharem inteligente. Acho que houve uma evolução porque, no passado, sinto que as pessoas julgavam muito umas às outras somente com base no corpo. Por exemplo, eu amo a Peaches e sempre a achei formidável.

THIS MAKES ME THINK OF NATALIE PORTMAN’S SPEECH ABOUT THE FACT SHE HAD TO BUILD THIS INTELECTUAL PERSONA COVERING UP HERSELF WITH CLOTHES SO THAT PEOPLE WOULD RESPECT HER.

I did that as well. I am 36 now and sometimes I look at pictures of when I was 22 and think :“why didn’t I have the courage to wear a skirt ?” when now I think my legs aren’t that good anymore. I regret being ashamed of myself back then, I was very insecure with my body. I was tall and skinny but I grew up with all these fake references I saw in magazines like retouched armpits, retouched stomachs, retouched everything. I feel more secure as a performer and as a woman today.

ISSO ME FEZ LEMBRAR DA FALA DA NATALIE PORTMAN QUANDO ELA DISSE QUE PRECISOU CONSTRUIR UMA PERSONA INTELECTUALIZADA E SE VESTIR DOS PÉS À CABEÇA PARA QUE AS PESSOAS A RESPEITASSEM.

Também fiz isso. Estou agora com 36 anos e, às vezes, olho fotos minhas aos 22 e penso: “por que não tive coragem de usar saia?”. Só que agora acho que as minhas pernas não são mais tão bonitas como costumavam ser. Me arrependo de ter tido vergonha do meu corpo. Era alta e magra, mas cresci com todas essas referências idealizadas que via nas revistas como, por exemplo, axilas retocadas, abdomens retocados, enfim, tudo retocado. Hoje me sinto mais segura seja como artista seja como mulher.

DO YOU FEEL FREER WHEN YOU ARE LETRUX THAN WHEN YOU ARE LETICIA? IS THERE A DIFFERENCE?

I think when you are on stage you always wear a mask to protect yourself. Sometimes of course I am Leticia but I need to have a voice and a persona to say some of the things I say out there. A stage is a sacred place. Nearly everything is allowed there. You can try things. I like to play with voices, add some drama, some stand up comedy too. It is not that I feel freer, but I feel I just want to play more. In my “real” life I still play and I can be very goofy but I also love to have an “average” life.

VOCÊ SE SENTE MAIS LIVRE COMO LETRUX OU COMO LETICIA? HÁ DIFERENÇA ENTRE AS DUAS?

Acho que no palco eu sempre uso uma máscara para me proteger. É claro que, às vezes, sou a Leticia, porém preciso de uma voz e uma persona para poder me expressar quando estou no palco, que é um lugar sagrado e no qual quase tudo é permitido. Você pode experimentar com certas coisas. Gosto de brincar com a minha voz, deixá-la mais dramática e fazer também um pouco de comédia do tipo stand up. Não é que eu me sinta mais livre, é só que tenho mais vontade de brincar. Na vida “real”, gosto de brincar e sou até mesmo meio paspalhona, mas também gosto de ter uma vida bem “mediana”.

FOR NOW! PEOPLE SEEM TO HAVE A SPECIAL “CARINHO” (AFFECTION) FOR YOU. THEY FEEL CLOSE TO YOU. THEY ENGAGE A LOT WITH YOU.

I think on social media I try not to be that diva who would only post selfies when she looks amazing. Of course I like to post a selfie when I look beautiful but I also like to share when my nephew draws me something. I try to talk to people as I would just talk to you, I really don’t put myself on a pedestal. People really feel they know me because I share a lot. I am in a very specific place right now where everything is changing in my schedule. It is crazy but I am very happy because this is the result of something I started 15 years ago! I think I’ll always try, even if I get more successful, to be connected with people who like my work. I love to write and I always try to do a little chronicle about my day. I get a lot of comments from people who say they love reading about those things. Actually, I intend on writing a second book.

POR ENQUANTO AS PESSOAS PARECEM TER UM CARINHO ESPECIAL POR VOCÊ. SE SENTEM PRÓXIMAS E INTERAGEM BASTANTE COM VOCÊ.

Acho que é porque tento não ser uma daquelas divas que só postam selfies nas redes sociais quando estão maravilhosas. É claro que também gosto de postar uma selfie quando acho que estou bonita, mas gosto também de compartilhar um desenho que o meu sobrinho fez para mim. Tento conversar com as pessoas da mesma forma que estou conversando com você, ou seja, realmente não me coloco em um pedestal. As pessoas sentem que me conhecem porque costumo compartilhar bastante. Estou atualmente em um momento de vida em que a minha programação muda constantemente. Acaba sendo uma loucura, mas estou muito feliz porque tudo isso é fruto de algo que iniciei há 15 anos! Sinto que sempre tentarei permanecer conectada às pessoas que gostam do meu trabalho, mesmo se eu me tornar uma artista mais conhecida. Amo escrever e sempre tento escrever uma pequena crônica sobre o meu dia. Recebo vários comentários de pessoas que me escrevem para dizer que amaram ler o que escrevi. Na verdade, pretendo escrever um segundo livro.

WOW AMAZING ! WHAT WAS YOUR FIRST ONE ABOUT?

A poem book that I wrote in 2015.

NOSSA, QUE FANTÁSTICO! QUAL FOI O TEMA DO TEU PRIMEIRO LIVRO?

Foi um livro de poemas escrito em 2015.

ABOUT WRITING… WHAT IS YOUR FAVORITE LINE YOU EVER WROTE IN A SONG?

Oh my god. This is very special… I think the sentence that I most enjoy at the moment is: "existe amor depois do amor” (editor’s note : “there is love after love").

SOBRE ESCREVER…DE TODAS AS LETRAS DE MÚSICA QUE VOCÊ JÁ ESCREVEU, QUAL FRASE É A TUA PREFERIDA?

Ai, meu Deus...essa é uma pergunta especial...acho que a frase que mais gosto atualmente é: "existe amor depois do amor”.

DO YOU READ EVERYTHING THAT IS SAID ABOUT YOU?

I used to, but now it is too much to read. It used to affect me a lot. When I was a teenager I suffered bullying because I was too tall, too skinny, my nose was too big… Everything was a reason for the boys to make fun of me. When we started the band, I was doing an analysis but still wasn’t healed from the bully. So when I read negative comments or bad reviews like “she cannot sing” I was devastated. I wasn’t ready to face these things. Can you imagine being judged for something you made with love in your bedroom, sometimes crying your heart out while playing the guitar? (laughs). Now I handle those things very differently: I know this is all a circus. There is one specific person that we know who hates me and anytime I do something he will comment something negative about it, up to the point we are waiting for him to react whenever I manifest myself. I think he likes the circus. But it doesn’t affect me since he doesn’t put any effort in the way he writes those comments. I love good literature you know. Also I think Astrology helps me a lot since I see those things coming; I read my annual astral theme and I am aware of things coming at me.

VOCÊ LÊ TUDO O QUE ESCREVEM SOBRE VOCÊ?

Eu costumava ler sim, mas agora é muita coisa para ler. Eu ficava bem mexida. Quando era adolescente, sofri bullying por ser muito alta, muito magra, por ter nariz grande...Tudo era motivo para os meninos tirarem sarro de mim. Quando formamos a banda, eu fazia terapia, mas ainda não tinha me curado do bullying. Então, quando lia comentários negativos ou críticas negativas como, por exemplo, “ela não sabe cantar”, ficava acabada. Não estava pronta para lidar com esse tipo de coisa. Imagina alguém julgar o que você compôs com amor, dentro do teu quarto, tocando violão, às vezes sem conseguir parar de chorar? (risos). Hoje em dia lido com tudo isso de uma forma muito diferente: sei que tudo isso é um grande circo. Sei que tem uma pessoa específica que me detesta e sempre fará um comentário negativo sobre qualquer coisa que eu faça. sempre que eu abro a boca, a gente até já espera que essa pessoa faça um comentário. Acho que ela gosta desse circo todo. Mas não me atinge porque ela não se esforça para escrever bem. Você sabe que amo literatura. Também acho que a astrologia me ajuda muito porque já sei o que me espera. Leio o meu mapa astral anual e sei o que terei que enfrentar.

WHAT EMERGES FROM NOWADAYS CONVERSATIONS IS THE IMPORTANCE OF THE SENSE OF THE COLLECTIVE; WOMEN SUPPORTING OTHER WOMEN. YOU ARE A SOLO ARTIST NOW, DON’T YOU FEEL THE NEED TO BE CLOSE TO WOMEN?

You know in my previous band I was the only woman. Now that I started Letrux, I am surrounded by women and they are amazing. Natalia, who is a transgender woman and Marta, who is a Lesbian. My band is very LGBT, we have everything… These women are everything!

HOJE EM DIA FALA-SE MUITO SOBRE A IMPORTÂNCIA DO SENSO DE COLETIVIDADE; AS MULHERES APOIANDO UMAS ÀS OUTRAS. VOCÊ CANTA SOZINHA. NÃO SENTE FALTA DA PROXIMIDADE COM OUTRAS MULHERES?

Eu era a única mulher da minha ex-banda. Agora que eu formei a Letrux, estou cercada de mulheres fantásticas. A Natalia, que é transgênero, e a Marta, que é lésbica. A minha banda é muito LGBT, temos de tudo… essas mulheres são tudo de bom!

YOU KNOW YOU ARE A GAY ICON, DON’T YOU?

Yes! You know even when I was part of Letuce, I always tried not to specify any gender in the way I was writing lyrics. I want for everyone to be able to identify with my songs. And when people tell me that they always feel connected to my music, it is a relief. On the album that I did as Letrux, I feel I connected with women even more. There is this lesbian song that I wrote along with an amazing poet friend of mine. It talks about two women. Of course there are plenty of singers who are considered gay icons, like Madonna for example, but I feel we don’t have so many songs talking about being gay in their lyrics. They don’t assume. The lyrics from my song, “Que estrago” are very sexy, very gay. I received so many messages from women saying: “thank you, now I have a song for me and my girlfriend” or even telling me they had sex listening to it (laughs). I really tried to be more inclusive with this band. I feel we are a strong collective of women.

VOCÊ SABE QUE É TIDA COMO ÍCONE PELA COMUNIDADE GAY, NÃO É?

Sei sim! Desde quando ainda pertencia à Letuce, sempre tentei não especificar o gênero dos personagens das minhas letras. Quero que todos se identifiquem com a minha música. Para mim, é um grande alívio quando as pessoas me contam que se identificaram com a minha música. No álbum que lancei quando já fazia parte da Letrux, senti que me conectei mais com outras mulheres. Tem uma música lésbica que escrevi com uma amiga poetisa fantástica. É sobre duas mulheres. É claro que existem várias cantoras consideradas ícones pela comunidade gay como, por exemplo, a Madonna, mas acho que não ouvimos muitas músicas com letras que falem sobre ser gay. Essas cantoras não assumem. A letra da minha música “Que estrago” é muito, muito gay. Recebi um monte de mensagem de mulheres dizendo “obrigada, agora eu e minha namorada temos uma música nossa” ou até que transaram ouvindo minha música (risos). Realmente tentei ser mais inclusiva com essa banda. Sinto que somos um coletivo de mulheres fortes.

IS IT EASIER TO WORK IN THAT ENVIRONMENT?

In the past I was always insecure about telling something that would maybe make the boys (from the band) think of me as a bit silly… But I don’t think it is silly to talk about costumes! Of course we give more importance to the soundcheck, but it is also okay to be concerned about what you are going to wear on stage. I think around my actual band I feel more at ease to talk about those things. My ex band was amazing though, they are very special boys to me. It is not a time to segregate and be mean to men. I have three nephews, I have a boyfriend… I love men. I think it is a time to teach them how to listen to us.

É MAIS FÁCIL TRABALHAR EM UM AMBIENTE ASSIM?

No passado, eu sempre ficava insegura achando que os meninos da banda iam me achar meio boba…mas não acho que seja bobagem conversarmos sobre os figurinos! É claro que o teste de som é mais importante, mas tudo bem também pensarmos sobre o que vestiremos no palco. Sinto que, na minha banda atual, me sinto mais à vontade para conversar sobre esses assuntos. A minha antiga banda era maravilhosa e os meninos são muito especiais. Não devemos segregar ou falar mal dos homens. Tenho três sobrinhos, um namorado… eu amo os homens. Acho que chegou a hora de nós os ensinarmos a nos escutar.

YOU SEEMED TO HAVE FOUND A WAY TO MAKE THAT HAPPEN WITH YOUR SONGS!

Hahaha.

PARECE QUE VOCÊ ENCONTROU UMA MANEIRA DE FAZER ISSO ATRAVÉS DAS SUAS MÚSICAS!

risos.

A WOMAN YOU ADMIRE?

Thousands! (Laughs). I think the first woman for whom I said “wow, what is this?” was Janis Joplin. And then Patti Smith, PJ Harvey…

NOME DE UMA MULHER QUE VOCÊ ADMIRA?

São milhares! (risos). Acho que a primeira mulher sobre a qual pensei “nossa, que mulher é essa?” foi a Janis Joplin, seguida pela Patti Smith, a PJ Harvey…

SO WOMEN WITH LITERALLY STRONG VOICES!

Yes I like those voices. I also love Brazilian women like Maria Bethânia, Rita Lee and Marina Lima. She was very famous in the 80s and the 90s. I consider her as my music god mother because she was the first famous person talking about me in the media. I just participated to her new album, writing lyrics with her. She is my friend, my mentor and she also did a featuring on my solo album!

TODAS SÃO CANTORAS COM VOZES PODEROSAS!

Sim, gosto das vozes delas. Adoro também as vozes da Maria Bethânia, Rita Lee e Marina Lima. Ela fez muito sucesso nas décadas de 80 e 90. Eu a considero a minha madrinha profissional porque ela foi a primeira pessoa famosa a falar a meu respeito na mídia. Acabei de fazer uma participação no novo álbum dela, escrevemos as letras juntas. Ela é minha amiga, mentora e fez também uma participação no meu álbum solo!

YOUR FIRST “I MADE IT” MOMENT?

The band Air, which is amazing, did a gig in Circo Voador and the venue called us to open the show. It was quite a thing. So we played and you know when you open a show, the public is not here for you, it is very difficult. But I didn’t care because after our performance one of Air’s members looked at me and said “well done girl”. I felt very secure suddenly (laughs).

FOI A PRIMEIRA VEZ EM QUE VOCÊ PENSOU CONSIGO MESMA “CHEGUEI ONDE QUERIA CHEGAR”?

A banda Air, que é fantástica, fez um show no Circo Voador, que nos chamou para abrir o show. Foi bem importante. Tocamos, mas, você sabe, quando você abre um show, o público não foi lá para te ouvir e isso não é nada fácil. Mas não me importei porque, depois do show, um dos membros da banda Air olhou para mim e disse “parabéns garota, você estava ótima”. E de repente me senti muito segura (risos).

ANY SPECIAL TRICK YOU LIKE TO SHOW OFF DURING A DINNER PARTY?

I have a dish that I like to do: couscous. Everybody loves my couscous but I don’t know why… Maybe because I put ginger in it. When I have a little more money I even put shrimps! (Laughs).

ALGUM TRUQUE NA COZINHA PARA ENCANTAR OS CONVIDADOS QUE VÊM JANTAR NA TUA CASA?

Gosto de preparar couscous. Todos adoram o meu couscous, mas não sei exatamente porquê…talvez porque eu coloque gengibre. E quando sobra uma graninha, coloco camarões! (risos).

FINALLY, AND I KNOW THIS IS GOING TO BE TRICKY FOR YOU… WHAT IS THE SONG THAT WILL ALWAYS MAKE YOU WANT TO DANCE?

Wow… Actually there is a song from Prince called “Wow” (laughs). It is an amazing song; I mean Prince is always going to make me want to dance, but this specific one might be a bit hard to dance to. I think also Billy Paul’s version of Elton John’s “Your song”… I know it is very cheesy but I recently turned 36 and we were celebrating with some friends, we were very drunk and I actually really turned 36 singing with them on that specific song that night. It was very special.

FINALMENTE, E SEI QUE ESSA É UMA PERGUNTA DÍFÍCIL DE RESPONDER…MAS QUAL É A MÚSICA QUE SEMPRE TE DEIXA COM VONTADE DE DANÇAR?

Nossa…na verdade, tem uma música do Prince chamada “Wow” (risos). É maravilhosa; O Prince é um que sempre me fará ter vontade de sair dançando, mas essa música especificamente é meio difícil de dançar. Tem também a versão do Billy Paul da música “Your song” do Elton John…sei que é meio cafona, mas acabei de comemorar o meu aniversário de 36 anos com alguns amigos, estávamos bem bêbados e todos cantamos essa música juntos. Foi uma noite muito especial.

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